O domingo, 3 de agosto, deve marcar mais uma demonstração de força da direita bolsonarista nas ruas do Brasil, com foco em ataques ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em Santa Catarina, reduto conservador e com histórico de expressiva votação em Jair Bolsonaro, a mobilização já conta com caravanas confirmadas para atos em cidades como Florianópolis, Joinville, Chapecó e Blumenau. Deputados como Zé Trovão (PL), coordenador da articulação nacional, têm usado eventos públicos e redes sociais para convocar apoiadores sob a bandeira da “liberdade”.
Mas o que está por trás desse discurso? A palavra “liberdade” virou recurso retórico da oposição ao governo federal desde os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Com limitações legais sobre o financiamento e organização desses movimentos, parlamentares agora ocupam o vácuo deixado pelos influenciadores, muitos silenciados por decisões judiciais. O movimento do dia 3 de agosto surge como tentativa de reacender a militância e manter viva a pauta ideológica que pautou as eleições de 2018 e 2022 — agora com olhos voltados para 2026.
A mobilização também revela o esboço de uma pré-campanha informal. Deputados federais e estaduais se reposicionam como lideranças de massas, enquanto testam sua capacidade de engajamento. Ao mesmo tempo, criam uma narrativa de perseguição institucional que serve para justificar derrotas políticas, proteger figuras investigadas e manter aceso o sentimento de antagonismo com o Judiciário e a esquerda.
No pano de fundo, o dia 3 não é apenas sobre protestar contra decisões de Moraes ou o governo Lula. É uma disputa de narrativa. O bolsonarismo busca reconstruir sua imagem pública e manter coesa sua base, agora sem o protagonismo direto de Bolsonaro. O que veremos nas ruas, portanto, será menos um ato espontâneo e mais um gesto calculado, onde cada cartaz, cada discurso e cada aglomeração servirá de capital político — tanto para quem já está no poder quanto para quem quer voltar a ele.