No dia em que o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra, é oportuno rememorar a trajetória de Antonieta de Barros (11/07/1901 – 28/03/1952), figura pioneira na política, na educação e no jornalismo, cuja vida sintetiza resistências entrelaçadas: de gênero, raça e classe.
Nascida em Florianópolis, Santa Catarina, filha de mãe ex-escravizada, Antonieta formou-se professora pela Escola Normal Catarinense e aos 21 anos já havia criado, em 1922, o “Curso Particular Antonieta de Barros”, voltado para a alfabetização de jovens e adultos carentes.
Ela fundou o jornal A Semana (1922-1927) e assumiu posição inédita: em 1935, tornou-se a primeira mulher negra eleita para um mandato popular como deputada estadual em Santa Catarina.
Na Assembleia Legislativa do Estado, apresentou projetos voltados à educação, igualdade e valorização dos professores — sendo autora da lei estadual nº 145, de 12 de outubro de 1948, que instituiu o Dia do Professor em SC.
A data de 20 de novembro lembra o martírio de Zumbi dos Palmares (1695) e simboliza a luta dos negros e negras brasileiros contra a discriminação estrutural. Inserir Antonieta de Barros nesse panorama é reconhecer que a emancipação racial também se cruza com a emancipação de gênero e com o direito à educação — ela rompeu múltiplas barreiras: mulher, negra, filha de ex-escravizada, em um contexto social marcado pelo racismo, pelo machismo e pela rígida divisão de classes.
Seu legado evidencia que a conquista formal de cargos políticos não foi simples diplomação simbólica, mas fruto de mobilização cotidiana, de ensino, de jornalismo, de reivindicações. Ao dar visibilidade à sua história neste 20 de novembro, reafirma-se que a consciência negra exige lembrar protagonistas locais e nacionais, cujas narrativas foram por muito tempo invisibilizadas.
Este 20 de novembro convida à reflexão sobre o quanto ainda há para avançar: desigualdades raciais persistem no Brasil em educação, emprego, representação política. Antonieta de Barros exemplifica que o combate à discriminação racial passa pelas instituições — escolas, imprensa, parlamento — e pela presença de vozes diversas nesses espaços. Seu exemplo serve para inspirar que a igualdade não é concessão, é construção.
“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes…” Antonieta de Barros
