À frente de parte dessa história e carregando o legado dos fundadores, está Irani Pamplona Peters. A Pamplona Alimentos, que em 2026 completa 78 anos de história, é um exemplo de como a tradição pode caminhar lado a lado com a inovação tecnológica e a gestão profissionalizada. Atuando com excelência no abate e processamento de carnes suína e bovina, a empresa não apenas alimenta milhões de brasileiros e consumidores internacionais, mas também sustenta milhares de famílias através de uma cadeia produtiva integrada e humanizada. Conhecer a trajetória de Irani é mergulhar em uma narrativa onde o trabalho árduo "desde o tempo em que não havia luz elétrica" se tornou o alicerce para uma corporação global.
Origem da História: O DNA do Trabalho e da Simplicidade
A história da Pamplona Alimentos começou oficialmente em 3 de maio de 1948. Os pais de Irani eram dois jovens "colonos" que, ao se casarem, decidiram empreender em uma época de extrema escassez. Naquele período, não havia carne fresca disponível com facilidade, muito menos eletricidade ou geladeiras para conservação.
A divisão de trabalho entre os pais de Irani já demonstrava uma sinergia única: seu pai era um "gênio para fazer negócio", atuando como o comerciante que comprava o gado e negociava no interior. Ele chegava a tocar bois por dois dias a cavalo até chegar em Agronômica, dormindo em ranchos pelo caminho. Já sua mãe era a força operacional; Irani recorda que "ninguém via a mão dela para amarrar uma linguiça" e que ela era uma exímia açougueira, responsável por preparar a carne com uma rapidez impressionante.
Irani, a filha "sanduíche" de uma família de cinco irmãos (três meninas e dois rapazes), cresceu nesse ambiente de cooperação. Desde os 7 ou 8 anos, as crianças ajudavam nas tarefas diárias: buscavam gravetos para o fogo, cuidavam dos irmãos menores e auxiliavam no açougue. Um dos marcos da infância era o auxílio na preparação da carne para venda: a mãe pesava os pedaços, escrevia o peso e o preço em um papelão, e as crianças usavam agulha e barbante para costurar essa etiqueta na carne que seria entregue pela carroça.
Os valores da família foram forjados na simplicidade e na necessidade. Irani relata que eram humildes, embora as roupas fossem simples e feitas em casa. Essa base de honestidade, economia e ajuda mútua moldou a visão empreendedora de Irani e seus irmãos.
O Início da Jornada Empreendedora
O negócio surgiu da necessidade de oferecer algo diferente para as famílias da região. Sem geladeiras, o desafio era abater e vender rapidamente. A logística era feita por carroça, com os pedaços de carne (como o coxão mole) já cortados e precificados. Com o tempo, a demanda cresceu de um boi por semana para quantidades maiores, surgindo a necessidade de abater suínos para produzir linguiças, torresmo, morcilha e banha.
Aos 14 anos, Irani já assumia responsabilidades cruciais, como o controle financeiro . Como as famílias da região dependiam das safras de fumo, arroz e milho, elas compravam durante meses para pagar apenas quando vendiam sua produção. Irani aprendeu a fazer esses controles financeiros e as transações bancárias, preparando depósitos para cobrir cheques em uma época em que o trabalho era executado exclusivamente pela família, sem colaboradores.
A Ascensão da Empresa: Do Açougue Local à Exportação Global
Ao longo das décadas, a Pamplona Alimentos transformou-se radicalmente. De um abate semanal rudimentar, a empresa evoluiu para uma estrutura que hoje conta com 3.600 funcionários e presença em todo o território nacional e no exterior.
Marcos e Diferenciais
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Localização Estratégica: Santa Catarina é um estado privilegiado para a exportação de carne suína, possuindo selos internacionais da OIE que permitem o acesso a mercados restritos que outros estados não alcançam.
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Qualidade e Saudabilidade: Irani destaca que os produtos da marca primam pelo sabor, maciez e saudabilidade, competindo de igual para igual com qualquer grande player global.
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Verticalização da Produção: A empresa controla desde a fabricação da ração até o produto final, utilizando um sistema de integração com produtores rurais.
Gestão e Liderança: Transparência e Humanização
A filosofia de gestão de Irani Pamplona Peters é baseada em um tripé fundamental: transparência, seriedade e honestidade.
Essa cultura organizacional se reflete no tratamento aos colaboradores. Irani mantém o hábito de telefonar pessoalmente para aqueles que completam décadas de casa — alguns com até 40 anos de empresa. Ela reconhece que "a Pamplona não é nada sem o colaborador; não adianta construção, máquina, se não tiver a boa vontade das pessoas".
A inovação na gestão também passou pela coragem de profissionalizar a empresa. Após 17 anos na presidência, Irani liderou a transição para um CEO contratado do mercado, o Sr. Ronaldo, quebrando a tradição de ter sempre um membro da família no comando direto. Ela entende que grandes empresas precisam de pessoas competentes, independentemente do sobrenome, para fazer o negócio prosperar de forma sustentável.
"Temos que ser um exemplo dentro da empresa em tudo, fazer correto tudo. Fora da empresa também... nós somos o exemplo." — Irani Pamplona Peters.
A superação também envolveu o cuidado extremo com o meio ambiente e o bem-estar animal. A empresa investe em programas de sustentabilidade e orienta seus produtores integrados sobre o manejo correto de dejetos, entendendo que um erro individual pode comprometer a reputação e a operação de toda a cadeia.
Legado e Impacto: Mais que Alimentos, Transformação Social
O impacto da Pamplona Alimentos vai além dos números de vendas. A empresa é um motor de desenvolvimento econômico em Santa Catarina, gerando milhares de empregos diretos e garantindo o sustento de inúmeras famílias rurais através da integração.
O legado da família também está registrado na literatura; a mãe de Irani escreveu um livro detalhando a história da família e da empresa, servindo de inspiração para futuros empreendedores que desejam entender as raízes do sucesso através do trabalho. Irani personifica esse legado ao continuar ativa, afirmando que "nada mudou, continua indo trabalhar até se acostumar" e recusando-se a parar, pois o trabalho é parte essencial de sua identidade.
Planos para o Futuro: Rumo ao Centenário
Com as comemorações dos 80 anos se aproximando em apenas dois anos, a Pamplona Alimentos já projeta seu centenário. Os planos incluem continuar a expansão de mercado, fortalecer as práticas de sustentabilidade (detalhadas em seus relatórios anuais) e manter a inovação constante em produtos que atendam à praticidade e saúde exigidas pelo consumidor moderno. A empresa se prepara para celebrar oito décadas de uma "festa" que começou com um único boi em Agronômica e hoje alimenta o mundo.
A trajetória de Irani Pamplona Peters e da Pamplona Alimentos é um testemunho poderoso de que o sucesso não nasce do acaso, mas de uma combinação de valores éticos inegociáveis, trabalho e visão de futuro. Da menina que costurava etiquetas de barbante na carne à empresária que profissionalizou uma gigante do setor, Irani mostra que a essência de um negócio está nas pessoas e na verdade com que se conduz cada processo. Sua história é um convite à perseverança: mesmo sem luz ou infraestrutura, com "boa vontade" e "mãos dadas", é possível construir um legado que atravessa gerações e fronteiras.
Para conhecer mais sobre a história, os produtos, os serviços e as novidades da empresa, acesse o site oficial da Pamplona Alimentos e descubra como essa trajetória de dedicação, inovação e propósito continua transformando vidas e gerando resultados.
Fonte/Créditos: Aline do Mar - Jornalista
Créditos (Imagem de capa): Pamplona Alimentos

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