A Casa do Autista de Balneário Camboriú, inaugurada em 2024, passou a ser alvo de fiscalização da vereadora Jade Martins (MDB), que busca compreender o fluxo de atendimentos oferecido no espaço. Segundo a parlamentar, embora o local conte com excelente estrutura e recursos terapêuticos de ponta, peca pela ausência de atendimentos individualizados — considerados fundamentais no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
No início do ano, Jade visitou o complexo com o objetivo de entender como os atendimentos são realizados, qual o andamento da fila de espera e quais serviços estavam efetivamente disponíveis. Em Balneário Camboriú, existem duas frentes públicas voltadas ao atendimento de pessoas com TEA: a Casa do Autista e a AMA Litoral, que atuam com metodologias distintas.
“Os recursos terapêuticos que a Casa do Autista tem são realmente muito, muito, muito bons, e a gente precisa, agora, compreender aquele espaço como uma área de tratamento terapêutico”, afirmou a vereadora.
Ainda de acordo com ela, o problema está no modelo atual de atendimento, feito apenas em grupos. Para Jade, a ausência de acompanhamento individualizado compromete a qualidade do serviço, já que cada criança com TEA precisa de um plano terapêutico específico, complementado — e não substituído — pelas atividades em grupo.
Em abril, a prefeita Juliana Pavan (PSD) assinou um decreto que criou um grupo técnico para tratar especificamente das políticas públicas voltadas ao autismo. Segundo a vereadora, esse grupo inclui servidores municipais, cargos comissionados, representantes de diferentes secretarias e da sociedade civil. A proposta é analisar o atual fluxo de atendimento e propor melhorias, incluindo novas metodologias e um cronograma de implementação.
Diante desse cenário, a Comissão da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal busca por mais transparência na execução dos recursos e uma revisão do fluxo de atendimentos. Um dos caminhos sugeridos é que a Casa do Autista passe a ser vinculada diretamente à Secretaria de Saúde. Isso permitiria, inclusive, que os atendimentos fossem registrados no sistema do SUS — o que poderia gerar retorno financeiro ao município.
