Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025 por atentado contra o Estado Democrático de Direito, associação criminosa e instigação pública à subversão da ordem institucional.
A decisão, proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, considerou que o ex-presidente teve papel central na articulação de atos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
O julgamento ocorreu no plenário do STF e terminou com placar de 9 votos a 2 pela condenação. Além da pena de prisão, Bolsonaro foi inelegível por 15 anos e perdeu direitos políticos durante o cumprimento da sentença.
O que diz a defesa
O advogado Paulo Amado, responsável pela defesa, afirmou em nota que o recurso questiona “violações ao contraditório e à ampla defesa” e sustenta que o processo foi “marcado por motivação política”.
“O ex-presidente jamais ordenou ou participou de qualquer tentativa de golpe. Houve uma interpretação distorcida de atos políticos e manifestações de opinião”, declarou o advogado.
O documento foi protocolado junto ao próprio Supremo Tribunal Federal e, em seguida, será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para parecer.
Reação e contexto político
A condenação e o recurso de Bolsonaro ocorrem em um momento de alta polarização política no país.
Partidos aliados ao ex-presidente criticaram a decisão, alegando perseguição judicial, enquanto setores progressistas e juristas classificaram a sentença como “marco da defesa institucional da democracia”.
Analistas apontam que o desfecho do recurso pode influenciar o cenário eleitoral de 2026, tanto pela manutenção da inelegibilidade quanto pela reação de sua base política.
Repercussão internacional
Veículos internacionais como BBC, Reuters e El País destacaram o caso como um dos mais importantes processos de responsabilização de líderes democráticos da América Latina.
Organizações de direitos humanos elogiaram o julgamento por reafirmar a independência do Judiciário brasileiro diante de ameaças à ordem constitucional.
Próximos passos
O STF ainda deve definir prazo para análise do recurso e data de julgamento. Caso a Corte mantenha a condenação, a defesa poderá recorrer a instâncias internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
