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Quarta-feira, 15 de Abril 2026

Justiça

Justiça de Minas absolve acusado em caso de menina de 12 anos e decisão provoca repercussão nacional; entenda o que aconteceu e em que ponto está o processo

Decisão de magistrados do Tribunal de Justiça de Minas Gerais reacende debate jurídico e social sobre estupro de vulnerável no Brasil e gera investigações do CNJ, críticas políticas e possível recurso do Ministério Público

Aline do Mar
Por Aline do Mar
Justiça de Minas absolve acusado em caso de menina de 12 anos e decisão provoca repercussão nacional; entenda o que aconteceu e em que ponto está o processo
Redação
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Uma decisão recente da Justiça de Minas Gerais provocou forte repercussão em todo o país após magistrados absolverem um homem de 35 anos acusado de estupro contra uma menina de 12 anos. O caso ganhou destaque nacional porque a legislação brasileira considera crime qualquer relação sexual com menores de 14 anos, independentemente de consentimento. A seguir, veja a matéria completa para quem ainda não entendeu o caso — desde o início, quem são os magistrados envolvidos, qual foi a decisão e o que pode acontecer agora.

Como o caso começou

O caso veio à tona em abril de 2024, quando autoridades descobriram que uma menina de 12 anos estava vivendo com um homem adulto no interior de Minas Gerais. Segundo as investigações:

O Conselho Tutelar acionou o Ministério Público, que denunciou o homem por estupro de vulnerável, crime previsto no artigo 217-A do Código Penal.

A mãe da adolescente também foi denunciada por omissão, por permitir a convivência.

A primeira decisão: condenação

Na primeira instância, a Justiça considerou que houve crime, seguindo o entendimento tradicional da lei brasileira.

O homem foi condenado a:

  • 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado.

A sentença reconheceu que menores de 14 anos não possuem capacidade legal de consentimento, portanto qualquer relação sexual configura automaticamente estupro de vulnerável.

A reviravolta: decisão dos magistrados em Minas Gerais

O caso chegou à segunda instância, no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), onde foi analisado pela 9ª Câmara Criminal.

Quem são os magistrados que julgaram

Participaram do julgamento:

  • Desembargador Magid Nauef Láuar – relator do caso

  • Desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo – acompanhou o relator

  • Desembargadora Kárin Emmerich – voto contrário (voto vencido)

Por maioria de votos (2 a 1), os magistrados decidiram:

anular a condenação
absolver o acusado
absolver também a mãe da menina

O argumento usado pelos magistrados

O relator entendeu que existia entre o homem e a adolescente um:

“vínculo afetivo consensual”.

Segundo o voto vencedor, o relacionamento teria ocorrido:

  • sem violência física comprovada;

  • de forma pública;

  • com aceitação familiar.

Com base nisso, os magistrados consideraram que não haveria configuração automática do crime.

Essa interpretação gerou polêmica porque contraria o entendimento predominante da legislação brasileira, que estabelece que o consentimento é juridicamente irrelevante quando a vítima tem menos de 14 anos.

Por que a decisão causou tanta repercussão

A reação foi imediata em todo o país.

Especialistas, parlamentares e entidades de defesa da infância afirmaram que:

  • a lei brasileira é clara ao classificar qualquer ato sexual com menor de 14 anos como estupro;

  • crianças não têm capacidade legal para consentir relações;

  • decisões desse tipo podem fragilizar a proteção legal de menores.

A Bancada Feminina do Senado divulgou nota afirmando que relativizar essa proteção compromete o princípio constitucional da proteção integral da criança e do adolescente.

A Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério dos Direitos Humanos também criticaram o julgamento, destacando que anuência familiar não elimina o crime.

Investigação contra a decisão judicial

A repercussão levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a agir.

O CNJ abriu um pedido de providências para apurar:

  • a atuação dos magistrados;

  • os fundamentos jurídicos da absolvição;

  • possível irregularidade ou interpretação incompatível com a jurisprudência.

O tribunal mineiro foi intimado a prestar esclarecimentos formais.

Além disso, o próprio TJMG abriu sindicância interna após pressões políticas e sociais.

O que diz o Ministério Público

O Ministério Público de Minas Gerais informou que:

  • identificou pontos jurídicos passíveis de contestação;

  • já apresentou recursos para tentar reverter a decisão;

  • pretende levar o caso às instâncias superiores.

Entre as medidas possíveis estão:

  • embargos de declaração;

  • recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em que ponto está o caso agora

Atualmente, o processo segue em andamento e ainda não terminou.

📌 Situação atual:

  • decisão de absolvição válida no momento;

  • recursos do Ministério Público em análise;

  • investigação administrativa aberta pelo CNJ;

  • julgamento pode ser revisto por tribunais superiores.

Ou seja: o caso ainda pode mudar.

O debate jurídico por trás do caso

O centro da discussão é um conflito entre:

✔️ Interpretação literal da lei

O Código Penal estabelece que:

  • menores de 14 anos são considerados vulneráveis;

  • consentimento não tem validade jurídica.

✔️ Interpretação adotada na decisão

Os magistrados entenderam que o contexto afetivo deveria ser analisado individualmente.

Essa divergência reacendeu debates sobre:

  • casamento infantil no Brasil;

  • proteção integral da infância;

  • limites da interpretação judicial.

Impacto social e nacional

O caso gerou:

  • manifestações políticas de diferentes correntes ideológicas;

  • mobilização de entidades de direitos humanos;

  • discussão nacional sobre violência sexual infantil.

Especialistas apontam que decisões judiciais como essa têm grande impacto simbólico porque podem influenciar julgamentos futuros e a confiança da população no sistema de justiça.

Entenda o caso — resumo rápido

  • 👧 Menina de 12 anos passou a viver com homem adulto em MG.

  • ⚖️ Ele foi condenado em primeira instância por estupro de vulnerável.

  • 🧑‍⚖️ Tribunal de Justiça absolveu por maioria, alegando “vínculo afetivo consensual”.

  • 🇧🇷 Decisão gerou repercussão nacional e críticas jurídicas.

  • 🔎 CNJ abriu investigação.

  • 📑 Ministério Público recorreu.

  • ⏳ Processo ainda não terminou.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
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Aline do Mar

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