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Sábado, 06 de Junho 2026

Santa Catarina

Florianópolis vira alvo de debate nacional após anúncio de controle migratório em terminal rodoviário

Prefeitura afirma que ação busca acolher pessoas em vulnerabilidade, mas vídeo do prefeito falando em “dar passagem de volta” gera críticas e questionamentos sobre legalidade da medida

Aline do Mar
Por Aline do Mar
Florianópolis vira alvo de debate nacional após anúncio de controle migratório em terminal rodoviário
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A divulgação de um vídeo do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, anunciando a criação de um “posto de controle” no Terminal Rodoviário Rita Maria, gerou ampla repercussão nas redes sociais e colocou a capital catarinense no centro de um debate nacional sobre migração interna e direitos humanos.

No vídeo, publicado nas redes oficiais da prefeitura, Topázio afirma que a medida tem o objetivo de “organizar quem chega” e que “quem vem sem emprego e sem moradia, recebe uma passagem de volta para sua cidade de origem”. A declaração foi suficiente para provocar uma enxurrada de críticas, dividindo opiniões entre internautas, autoridades e especialistas em políticas públicas.

A prefeitura informou que o posto funciona desde 2023, e que o foco é oferecer atendimento social a pessoas que chegam em situação de vulnerabilidade. Segundo a administração municipal, o local serve como ponto de triagem e orientação, com encaminhamento para abrigos, unidades de assistência e, em alguns casos, contato com familiares em outras cidades.

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O município alega que não há impedimento de circulação ou abordagem compulsória. O retorno ao local de origem, conforme nota oficial, ocorre “apenas mediante consentimento da pessoa atendida e quando há vínculo familiar confirmado”.

Após a publicação do vídeo, o termo “controle migratório” passou a figurar entre os mais comentados no X (antigo Twitter). Usuários apontaram possível violação do direito constitucional de ir e vir, além de questionarem o uso de linguagem considerada excludente e discriminatória.

Ativistas e entidades de direitos humanos criticaram o discurso, alegando que a fala do prefeito reforça estigmas contra pessoas em situação de rua e migrantes de baixa renda. Parlamentares estaduais e federais também se manifestaram, pedindo esclarecimentos e a suspensão imediata de qualquer ação que envolva restrição de circulação.

Por outro lado, parte dos internautas e apoiadores da gestão municipal defenderam a medida, afirmando que a ação busca “organizar o acolhimento” e evitar a superlotação de abrigos.

A Defensoria Pública de Santa Catarina abriu procedimento preliminar para apurar a conduta do município e verificar se há violação de direitos ou coerção de pessoas a deixarem a cidade. O Ministério Público de Santa Catarina também solicitou informações oficiais à Prefeitura.

Juristas ouvidos pela imprensa destacaram que qualquer ação que condicione a permanência de um cidadão à comprovação de renda ou moradia pode ser considerada inconstitucional, por ferir o artigo 5º da Constituição Federal, que garante o direito à livre locomoção no território nacional.

Diante da repercussão negativa, o prefeito Topázio Neto gravou novo vídeo afirmando que “não se trata de controle migratório, mas de acolhimento social”. Ele reforçou que a ação é parte de um programa permanente de atendimento a pessoas em vulnerabilidade que desembarcam na capital.

“Estamos apenas oferecendo suporte a quem precisa. Ninguém é impedido de ficar na cidade. Se a pessoa quer ficar e buscar trabalho, é bem-vinda. O que não queremos é que Florianópolis se torne um ponto de abandono de pessoas trazidas por outros municípios”, declarou o prefeito.

A prefeitura também informou que mais de 500 pessoas já teriam recebido atendimento desde o início do projeto, e que o retorno a outras cidades ocorre sempre de forma voluntária.

Especialistas em políticas sociais afirmam que a polêmica expôs a falta de coordenação nacional sobre o atendimento à população em situação de rua. Segundo levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em População de Rua, o número de pessoas vivendo em vulnerabilidade no país cresceu cerca de 30% entre 2020 e 2024, enquanto as políticas municipais seguem isoladas e sem articulação entre estados.

Em fóruns e comentários online, o caso reacendeu discussões sobre o papel das prefeituras diante da migração interna e a responsabilidade compartilhada entre os municípios para o acolhimento social.

A Defensoria Pública deve concluir o levantamento nas próximas semanas. Enquanto isso, o Ministério Público acompanha o caso e analisa a possibilidade de recomendar ajustes na política municipal de assistência social.

Nas redes, o debate segue dividido — entre os que veem na iniciativa uma tentativa de organizar o acolhimento e os que interpretam o discurso como uma ameaça à liberdade e ao direito de permanecer.

O episódio evidencia como a comunicação pública, quando mal conduzida, pode transformar uma ação administrativa em crise de imagem — especialmente em tempos de redes sociais e vigilância digital constante.

 
 
 
 
 
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FONTE/CRÉDITOS: Redação
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