A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) afirmou nesta semana que as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros já estão impactando diretamente a indústria catarinense. Segundo a entidade, o chamado “tarifaço” pode provocar uma retração significativa nas exportações do estado e gerar efeitos negativos sobre o emprego e a arrecadação.
De acordo com estudo técnico elaborado pela FIESC, uma queda de 30% nas exportações para o mercado norte-americano, em um período de um a dois anos, pode resultar em uma perda de até R$ 1,2 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) catarinense. O impacto estimado também inclui a eliminação de aproximadamente 20 mil postos de trabalho e uma redução de R$ 171,9 milhões na arrecadação de ICMS.
A federação destacou que os segmentos de madeira e móveis são os mais atingidos, por dependerem fortemente das vendas aos Estados Unidos. Algumas empresas desses setores já relatam queda no número de contratos e demissões em andamento.
Para enfrentar o cenário, a FIESC lançou o programa “desTarifaço”, que oferece consultoria especializada, apoio ao crédito e ações de capacitação para empresas exportadoras. A iniciativa busca reduzir os danos econômicos e ajudar as indústrias a se adaptarem ao novo contexto comercial.
A entidade defende que a saída para o impasse deve ser construída a partir de negociações técnicas e econômicas, sem interferência de motivações ideológicas. A FIESC considerou positiva a recente conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, bem como a atuação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, como interlocutor brasileiro nas tratativas.
“O comércio internacional precisa ser uma ferramenta de desenvolvimento mútuo. É isso que esperamos das negociações: equilíbrio, previsibilidade e segurança para quem produz e exporta”, afirmou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.
Com o novo cenário tarifário, as empresas catarinenses enfrentam o desafio de diversificar mercados e preservar empregos, ao mesmo tempo em que buscam manter sua competitividade. A federação reforça a necessidade de uma ação conjunta entre governo e setor produtivo para mitigar os efeitos da medida e garantir a sustentabilidade da indústria local.
A FIESC avalia que o avanço no diálogo entre Brasil e Estados Unidos será determinante para evitar prejuízos maiores e preservar a posição de Santa Catarina como um dos principais polos exportadores do país.
