Santa Catarina é um dos estados que mais devem sentir os efeitos do aumento de 50% nas tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos, a partir de 6 de agosto. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o prejuízo financeiro estimado é de R$ 1,7 bilhão, o quarto maior do país. O estado também deve registrar a segunda maior queda no PIB nacional, com retração prevista de -0,31%.

A medida atinge em cheio a indústria catarinense, que representa 99% das exportações locais aos EUA. Antes mesmo da vigência da nova tarifa, exportadores do estado já relataram queda de até 70% nos pedidos vindos do mercado americano. Itajaí, que concentra a maior parte da movimentação portuária de Santa Catarina, já sente o reflexo. “Estamos aguardando as orientações do governo federal para construir alternativas no comércio internacional. O Brasil é gigante. Santa Catarina também. E o Porto de Itajaí saberá dar as respostas à altura, com agilidade e responsabilidade”, afirmou o superintendente João Paulo Tavares Bastos.

As principais perdas catarinenses estão nos setores de motores e transformadores (com empresas como Weg e Tupy), carnes (Sadia, BRF, Seara, Aurora) e a indústria náutica, na qual Itajaí é referência nacional. Segundo a Acatmar (Associação Náutica Brasileira), o município responde por 70% da produção de embarcações de lazer do estado e por 35% da produção nacional. Neste ano, 68% das receitas da exportação de barcos brasileiros vieram de vendas aos EUA. A avaliação dos impactos no setor náutico deve ser concluída nesta semana, com balanço a ser apresentado pela Acatmar.
Para tentar conter os efeitos da medida, o governo de SC prepara um pacote emergencial com prorrogação de impostos e crédito facilitado. O governo federal também anunciará nesta semana medidas específicas por setor, com a promessa de manter empregos. O presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, adiantou que estão em andamento ações para abertura de mercados asiáticos — especialmente a China — para produtos como pescados, com previsão de missões comerciais internacionais que devem contar inclusive com a participação do presidente Lula.
Segundo pesquisa da Fiesc, 72% das indústrias de SC projetam demissões nos próximos seis meses. Ainda assim, 61% das empresas afetadas já buscam novos mercados e 39% renegociam contratos com os EUA. Quase metade já suspendeu embarques.
Análise
Apesar do cenário adverso, o Brasil tem musculatura para reagir. Santa Catarina, com sua indústria altamente especializada e uma cultura exportadora consolidada, possui vantagem competitiva para se reposicionar. A ampliação do comércio com a Ásia, impulsionada por acordos estratégicos e pela capacidade logística de polos como o Porto de Itajaí, pode não apenas compensar as perdas como também abrir novas frentes de crescimento. O tarifaço impõe um desafio duro — mas também um teste de resiliência ao setor produtivo brasileiro.
