O casal formado pela enfermeira Mayara Coraci, 36 anos, e o engenheiro Erik Coraci, 42 anos — que adotou três crianças em 2024 — foi preso em flagrante em Jundiaí (SP).
A prisão ocorreu depois que uma conselheira tutelar, acionada pela escola de um dos meninos — de 10 anos — encontrou a criança com hematomas recentes na mão e região lombar, sinais de dor e dificuldade para andar.
O filho mais velho relatou agressões pela mãe com uma raquete, afirma que sofria castigos físicos diários e que o pai tinha ciência — às vezes participava. Ele também afirmou que chegou a ser trancado à noite em um escritório apenas de roupa íntima, sem alimentação adequada e sem poder dormir.
Outro filho, de 8 anos, confirmou ter cicatrizes antigas, e a irmã de 4 anos foi retirada do convívio familiar. As crianças foram encaminhadas ao hospital e depois ao acolhimento institucional.
A adoção que viralizou
O casal ganhou notoriedade nas redes sociais em novembro de 2024 ao contar que demorou apenas seis horas para conseguir a adoção de três irmãos — relato inusitado diante da burocracia habitual.
Eles declararam que o processo de adoção durou cerca de um ano desde o início formal até o encontro com as crianças.
Segundo relatos, por volta das 11h da manhã de 25 de janeiro de 2024, um oficial de Justiça os notificou de que estavam aptos e oficialmente na fila de adoção; à tarde do mesmo dia foram informados de que as crianças já haviam sido “selecionadas”.
O encontro com os três irmãos — de 9, 7 e 4 anos — ocorreu em 5 de fevereiro de 2024. Metrópoles
A família usou metáforas de nascimento: a mãe chegou a dizer que “a bolsa rompeu” no dia em que recebeu a ligação de que as crianças haviam sido localizadas. Metrópoles
Aparência nas redes sociais e repercussão inicial
Nas redes sociais, o casal aparecia junto às crianças, relatando a emoção do primeiro encontro e celebrando a “adoção rápida” como algo quase milagroso.
Posts e vídeos mostravam as crianças chegando à nova casa, com sorrisos e demonstrações de afeto — e o relato de “seis horas na fila” gerou grande repercussão, comentário positiva e esperança em quem acompanhava o processo.
Na época, o casal dizia que sempre quiseram que o primeiro filho fosse “do coração, não da barriga”, justificando a adoção como uma escolha de afeto, com ênfase no desejo de dar um lar e amor às crianças.
Com a prisão, o vídeo e as publicações antigas voltaram a circular — desta vez com indignação nas redes.
O casal permanece à disposição da Justiça, enquanto as três crianças foram afastadas do convívio e encaminhadas para acolhimento institucional, com acompanhamento médico e psicológico.
Especialistas e conselheiros tutelares têm apontado que esse caso evidencia fragilidades no sistema de adoção e na supervisão de famílias adotantes — e reforçam a necessidade de acompanhamento mais criterioso, mesmo após a formalização da adoção.

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