Todo Estado de Santa Catarina

Aguarde, carregando...

Sábado, 30 de Maio 2026

Utilidade Pública

Quando o “amor público” esconde dor privada: o alerta para adoções exibidas nas redes

Esse contraste entre imagem pública e realidade íntima merece atenção redobrada

Aline do Mar
Por Aline do Mar
Quando o “amor público” esconde dor privada: o alerta para adoções exibidas nas redes
Freepik
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Quando o “amor público” esconde dor privada: o alerta para adoções exibidas nas redes

Nos últimos anos, muito se fala sobre adoção e sobre a importância de famílias oferendo amor e cuidado a crianças em situação de vulnerabilidade. Mas, o que acontece quando o que é mostrado para o mundo — nas redes sociais, nos stories, nas conversas de quem admira — não corresponde à realidade dentro de casa? 

A manchete que virou sensação — e o desmoronar de uma “família perfeita”

Recentemente, um casal que viralizou após adotar três crianças de uma só vez chamou atenção: segundo a história que circulou, eles teriam esperado apenas seis horas na fila de adoção antes de serem aprovados. O vídeo do primeiro encontro, cheio de lágrimas, abraço e declarações de amor, ganhou milhões de visualizações e suscitou comoção. 

Mas o que era apresentado como um conto de amor e salvação revelou-se uma tragédia: o casal foi preso em flagrante, acusado de submeter os filhos adotivos a agressões físicas e maus-tratos. A denúncia partiu após a escola de um dos meninos observar sinais visíveis de abuso. 

Publicidade

Leia Também:

Esse caso escancarou uma dura realidade: nem sempre “família perfeita” nas redes significa segurança, afeto ou cuidado verdadeiro dentro de casa.

Por que tantas adoções com “amor instantâneo” viralizam — e o que há por trás

Para muitos, a adoção imediata, com “conexão instantânea”, é motivo de esperança e celebração. Mas do ponto de vista da psicologia e da neurociência, comportamentos como esse podem ser sintomáticos de algo mais profundo:

  • Máscara social: quando uma pessoa sente necessidade excessiva de aprovação externa, ela acaba construindo uma “persona idealizada” — uma versão de si que só existe para o público. Essa persona busca ser admirada, elogiada, vista como boa mãe/pai, “salvadora”. O problema é quando essa máscara é mantida a qualquer custo, mesmo que a convivência íntima seja de dor, sofrimento ou abuso.

  • Discrepância entre público e privado: o “eu da rede social” e o “eu da realidade” ficam tão diferentes que fazem parte de mundos paralelos — e, muitas vezes, quem convive com o “eu privado” sofre em silêncio.

  • Validação externa como sustento emocional: postagens de adoção, felicidade, amor, cuidado — tudo isso gera curtidas, comentários positivos, reforço de autoestima para quem publica. A “família perfeita” nas redes vira um mecanismo de autopreservação emocional, mesmo que por trás haja dor.

  • Desvalorização do bem-estar real da criança adotada: em uma adoção saudável, o foco deve ser no acolhimento, no amor, no cuidado — não em curtidas, seguidores ou admiradores.

Quando adoção e rede social viram palco: o risco para crianças vulneráveis

A adoção de crianças — especialmente de crianças vulneráveis, órfãs ou com histórico difícil — exige muito mais do que boas intenções. Ela exige estrutura emocional, paciência, empatia real, resiliência — virtudes que não podem ser fabricadas para “postar bonito”.

Quando o foco da adoção é a projeção nas redes, o risco é enorme:

  • As crianças se tornam objetos de “provas de amor” pública, não seres a quem se deve proteção e cuidado.

  • A pressão social pode tolher qualquer dúvida, crítica ou vigilância sobre o que realmente ocorre dentro daquele lar.

  • E quando o controle e a autoridade se somam à discrepância entre imagem e realidade — como muitos relatos apontam — a criança fica vulnerável a abusos silenciosos, acúmulo de traumas, violência doméstica.

O caso recente mostra que, mesmo um casal aparentemente “ideal” pode esconder dor — e que a exposição nas redes pode ser apenas parte de uma estratégia de autopreservação emocional.

Um convite à reflexão: atenção redobrada antes de admirar “famílias perfeitas”

Como sociedade, precisamos aprender a olhar além da tela. Curtidas, vídeos emocionantes e declarações de amor público não garantem que a vida privada é segura, amorosa ou saudável.

É importante questionar — e ensinar às crianças a questionar — quando a adoção vira espetáculo, quando a felicidade é exibida com filtros, e quando o silêncio e o medo se escondem por trás de sorrisos.

E se você está pensando em adotar: adote com honestidade emocional. Com consciência. Com acolhimento de verdade. Com a responsabilidade de quem vai cuidar de alguém vulnerável — não de quem vai buscar aprovação de fora.

Que o amor real (silencioso, cotidiano, imperfeito) pese mais do que o amor exibido. Que a segurança e a dignidade das crianças valham mais do que histórias virais.

FONTE/CRÉDITOS: Redação
Comentários:
Aline do Mar

Publicado por:

Aline do Mar

Jornalista comprometida com a verdade, atuando com responsabilidade e paixão pela informação. Sua missão é levar notícias relevantes e confiáveis com ética, agilidade e olhar humano.

Saiba Mais
WhatsApp Portal SC Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR