A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, nesta terça-feira, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete aliados, acusados de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.
A sessão foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, que apresentou um relatório detalhado sobre a investigação, a denúncia e as etapas de instrução já concluídas. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez a leitura da acusação. Segundo ele, o plano golpista revelado nas investigações é “espantoso e tenebroso”, e a punição dos envolvidos seria “imperativa” para proteger a democracia brasileira.
Dos oito réus, apenas o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, compareceu pessoalmente ao julgamento. Jair Bolsonaro não esteve presente, sob alegação de problemas de saúde, conforme informou sua defesa. Os demais acusados foram representados por advogados.
No período da tarde, os ministros reservaram espaço para as sustentações orais das defesas, cada uma com até uma hora de duração. O calendário do STF prevê novas sessões nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro, quando os magistrados devem iniciar a fase de votação.
O julgamento é considerado um marco histórico por colocar sob análise judicial um ex-chefe de Estado e parte de sua cúpula política e militar, diante de acusações de atentar contra a ordem democrática do país.
