Em meio a tensões comerciais e críticas ao sistema judicial brasileiro, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta sexta-feira (11) sua posição favorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e indicou que um possível diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não está entre suas prioridades no momento.
— Vou falar com ele [Lula] em algum momento, mas não agora — disse Trump, em conversa com jornalistas, destacando que considera o presidente brasileiro um “bom negociador”, “muito honesto” e que “ama o povo brasileiro”. Mesmo assim, apontou que Lula estaria tratando Bolsonaro de maneira “injusta”.
As declarações foram feitas dias após Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que entrará em vigor em 1º de agosto. Em carta enviada ao governo brasileiro e divulgada em sua rede Truth Social, o ex-presidente dos EUA afirmou que o aumento das tarifas busca “corrigir distorções” no comércio entre os dois países. Trump também classificou o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) como uma “vergonha internacional” e criticou o sistema judicial brasileiro.
Na mesma carta, Trump mencionou supostos “ataques às eleições livres” no Brasil e alegou que o país teria emitido ordens judiciais “secretas e ilegais” para plataformas digitais americanas, o que motivou a abertura de uma investigação por práticas comerciais consideradas “desleais ou injustas”, com foco no setor digital. Não foram apresentados documentos que comprovassem as acusações.
Reação do governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu afirmando que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que o país poderá adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica caso o aumento das tarifas seja confirmado. Lula também reiterou que o julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 é responsabilidade exclusiva da Justiça brasileira.
Contexto eleitoral e comercial
O anúncio da tarifa e as manifestações de Trump acontecem em meio ao processo eleitoral nos Estados Unidos, no qual o ex-presidente busca fortalecer seu discurso junto a grupos conservadores, incluindo parte da comunidade latino-americana. O episódio também reacende debates sobre medidas protecionistas, que marcaram o primeiro mandato de Trump.
As recentes declarações evidenciam a sobreposição de temas comerciais, jurídicos e políticos nas relações entre Brasil e Estados Unidos, inserindo o país sul-americano em discussões internas da política norte-americana.
